sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Trem

Engenho de Dentro, Madureira
Deodoro e este sonoro
estalar de ferros

Saculejo café com pão
café com pão, não...
é pistão, pistão

Castanho é o sol lá fora
Brilha nos tijolos descascados
Ainda assim, anda-se
um bocado abafado
o peito na minha cara
e este suor de enlatado

Meu Deus, onde é que estou?
É olinda, é? É juscilino, não é?
É pistão, É pistão

Por onde é que ele vai
a fora este desvão,
pois já me derrubaram
uma marmita

é que o maquinista
beijou o ferro retorcido
e agora vôa,
até Saracuruna
e segura, e segura
e balança e balança
lá vai o temido,
o benzido, o velho,
lá vai, lá vai, lá vai
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2 comentários:

Memória de Elefante disse...

Acabei de chegar na estação e já sinto saudade da viagem desnudando tantas paisagens do interior do TREM.
Belo poema!!!

Um abraço e agradeço a visita!

Winderson Marques disse...

É um prazer encontrar escritores com um estilo tão diferenciado pelos diversos blogs que visito. Esse seu poema é d+...
T+