Um índice para a “utilidade editorial” é recordar os nomes revelados ou defendidos por ela. Um editor deve “satisfazer” ao gosto do público numa percentagem de 98%. E deixar dois por cento, para atender ao gosto de quem não é público nem pensa por números de maioria, nem obedece ao imperativo de ir-na-corrente nem passivamente repetir o gosto-porque-todos-gostam. Não é possível dar sempre chocolates ao bebê chorão e guloso...
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
O Editor Independente - Luís da Câmara Cascudo
Um índice para a “utilidade editorial” é recordar os nomes revelados ou defendidos por ela. Um editor deve “satisfazer” ao gosto do público numa percentagem de 98%. E deixar dois por cento, para atender ao gosto de quem não é público nem pensa por números de maioria, nem obedece ao imperativo de ir-na-corrente nem passivamente repetir o gosto-porque-todos-gostam. Não é possível dar sempre chocolates ao bebê chorão e guloso...
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
A tela colorida
domingo, 11 de outubro de 2009
Poema de pausa
quatro dias
e quatro vezes
que me sento
para espantar
o devaneio
deste poema
e o cérebro,
essa metralhadora
contínua não rói
o osso por inteiro.
sábado, 10 de outubro de 2009
ROTEIRO DE POESIA 2000
de ser publicado pela editora Global mais um volume da coleção Roteiro da Poesia Brasileira. Os poetas apresentados neste número pertencem à geração 2000 e, portanto, trata-se de uma obra em aberto, visto que seus autores ainda estão com obras em progresso, com vozes ainda germinais, em estado larval. A seleção dos poemas coube ao também poeta, professor e crítico Marco Lucchesi. domingo, 27 de setembro de 2009
Dia de Chuva
sábado, 5 de setembro de 2009
do diário de notícias particulares
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Lidice
De seus trezentos mortos,
de suas cinzas surge a Fênix.
Olhos angulosos.
Olhos Heil Hitler.
Olhos raios!
pois aqui sobreviemos
e vivemos para além
desta insujeita,
desvária e desvalida
arrogância de tentar
arrastar-nos para verdades
que não compreendemos.
Lidice, fênix e eu,
Flávio, forasteiro e insano,
descuidado e impreciso,
morto e renascido
a cada dia, a cada hora,
só por hoje, só por hoje.
Aquela cidade está por aqui
batendo um vaso sanguíneo
aquela cidade me faz
viver mais, acreditar mais.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
elementos
o chão de terra
é poeira, lama,
forjando rasteiro
desejo de ser.
Fogo e água,
no ar, na terra,
devaneando
insanos naufrágios
do crescer.
Terra e fogo
no ar, nos pulmões,
é grito afogado
labaredando
a areia de viver.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Ouvindo Vozes - Edmar Oliveira
sábado, 8 de agosto de 2009
Nascedouro
na curva, no esterno,
é um regato, uma fonte,
uma goteira que nasce
quando engasga,
cinge a glote e cerra os dentes
sem vida e sem beira
─ mesa de bilhar sem caçapa.
Nasce e finda visgo,
é um desvio que pegamos,
eu e você, sem vermos o fígado,
o rim, o pulmão, as cáries,
sem vermos nada,
cheiros ou sobremesas.
Mas assim nasce, e depois,
depois desanda e desanca
em outro lago que nasce,
nasce e empurra,
afunda e desembrulha
como um doce vômito
emergido de uma bolha
dupla de sentido
e de sentir para aquém
e para além do rio.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
os espelhos
Dois espelhos colados.
Frente e verso. Reversos.
no meio dos dois a cola,
a linha espremida
e sufocada. Ali, nós,
como lençol
grudento de suor,
somos pasta de vidro.
Ali no meio somos amor,
somos no nome
- a essência é o nome.
Se a cola é úmida ou seca,
Se o amor é na cama ou na louça,
somos o diário, o cotidiano
de dois espelhos que roçam,
gripam e espaldam
quando o sol desponta,
quando a rusga aponta.
Esse é o encontro
daquilo que nem
sabemos o quanto
e o como,
o quando e o que se é:
o nome, a força, a constância,
então refletimos, sim
refletimos, apenas isso,
refletimos cada um
seu modo de iluminar
o rosto do outro.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Blog de ouro
Ganhei esse simpático e mui honroso selo da blogueira Tatiana Carlotti. Valeu, muito legal mesmo. Então, a idéia é receber e passar adiante para mais cinco blogueiros. Esta semana está sendo bacana para mim, muito bacana mesmo, pois realizei uma mudança de vulto na minha vida. Além disso, recebi algumas homenagens do universo online: Moacy Cirne publicou um poema meu em seu balaio, Elaine Pauvolid, editora da revista eletrônica Aliás, publicou quatro poemas de minha lavra na edição deste mês, Adriano Nunes me dedicou um soneto maravilhoso e Jandira Rodrigues também escreveu um post-carta para mim. Bom né! São essas singelas relações que nos fazem seguir adiante e perceber o quanto é bom viver, viver com tranquilidade. Não se trata de ego e de vaidade. Trata sim, de reconhecimento, de valor, de amizade. Valeu mesmo.
Aí vão minhas indicações de Blogs de ouro, antes vale ressalvar que quando recebi a homenagem, pensei em repassar para mais de cinco pessoas, entre elas o Henrique Pimenta e o Moacy. Fui lá e percebi que eles já haviam ganho o selo simbólico de qualidade.
1 - Tremaliteratura (comecei a acompanhar este blog coletivo, o grupo escreve a bossa da crônica)
2 - O que faço com o que não faço (blog do Adriano Nunes, o autor publica ótimos sonetos).
3 - Diagnóstico desconhecido (blog do Solano, neste blog você lerá posts geralmente curtos, muito rico em alma).
4 - Para eu parar de me doer (blog de alto nível literário. Percebe-se o trabalho de linguagem, o burilamento. Roberta Mendes e Elis fazem do blog um sortimento de literatura, crítica de cinema e, repito, alto nível de escrita).
5 - Miscelâneas e tonterias da Jandira (o blog é meu porto seguro. Geralmente, agora menos, é a pessoa que lê meus textos antes de mim mesmo).
Bem aí estão minhas indicaçõe. Como disse, muitos outros blogueiros poderiam estar aí, fica para a próxima. Peço desculpas aos blogueiros (as) que, pelo instante não entraram na lista. Não fui eu que propus a regra, mas se tá aí vou seguir. É... Hoje estou assim. Vou seguindo... Sigo o cortejo e não pergunto pelo nome do defunto no caixão.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
LAMAÇAL
na emergência das febres,
nas veias expostas, rompidas,
lá na boca do vulcão
ou do que se assemelha ao vulcão,
mas que também pode ser ânus ou furacão,
lá, a lira ventilou a luxúria e o álcool,
os sonhos canhotos, as frituras canhestras
e a fissura ungida por fina camada de vaselina.
Movimento retorcido, jogo de cimitarras,
brados e bólides assassinos,
fricção cáustica e chamuscada,
angústia nauseada,
meteoro e morteiro
e tudo que arremata e arreda,
e leva o pó ao fim,
ao ermo com garras e rezas.
A Terra é de lama e de pó
e a lira canta o chumbo
de crianças mortas.
O verso então redobrado
retorna à espinha e retoma
a forja da vida,
o sedimento do sangue.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
PAIXÃO E POEMA
dedica versos e livros
para mulheres que comovem
e movem na impossibilidade
da matéria e no reverso
do espelho o beijo
tem cores para cores
e superfícies para desníveis.
É um ser em profunda
profusão dos amores mortos
e não ama e incompreendido
confunde e co-funde
imagens e mistura a sintaxe
e vagueia na ortografia
e deixa espólio
fugaz e rápido
de poesia mal
capturada.


