segunda-feira, 27 de julho de 2009

as caixas

Me cansei de deitar em cima de caixas de livros. Isso sempre me deixa com uma dormência na espádula. Perdi alguns anos nessa coisa de deitar em caixas. Acho, na verdade, que perdi a noção de tempo. Se fazia sol ou não. Para mim é noite, sempre. A questão é que não sei o que fiz durante esses anos. Quero dizer, o que realmente fiz de produtivo. Andei aqui e acolá, trabalhando, fazendo meu sustento de morto-vivo. Nem sei quando o hábito começou, agora tanto faz, o que importa é que não me deito mais em cima de nenhuma caixa. Aliás, não me deito mais. Faz 72 duas horas que estou acordado, suando, sofrendo, com medo de adormecer. E se não durmo, consigo contar as horas e os dias, mas sei, vai chegar o momento de dormir. Tenho medo de sonhar e do que vou sonhar. Ilusões me apavoram.

5 comentários:

BAR DO BARDO disse...

difícil mais seria carregar essas caixas...
o clima é deseperador...
não durma!

para eu parar de me doer disse...

...Medo de dormir e perder o contato com a percepção fugidia das coisas, com a clareza do tino, de perder o fio da meada de si mesmo no labirinto da volta...O sono para a lucidez nunca é reparador. Ele é irreparável.

Roberta Mendes
http://www.paraeuparardemedoer.blogspot.com

Tatiana Carlotti disse...

Belíssima metáfora Flávio! Beijo, Tati

Elisangela Batista Barbosa disse...

Dormir, a angústia do risco de perder algo, de deixar de fazer algo, de não estar presente, o ato de desgrudar-se da realidade, de não pensar, não saber...

Dormir podia ser opcional!

Elis Barbosa

http://www.sejacomoforqueseja.blogspot.com

Flávio Corrêa de Mello disse...

Pois é... Muitas vezes bate uma insônia...