quarta-feira, 3 de junho de 2009

Os Bagateleiros da bagatelas

Parece que estes dias tá pintando uma nostalgia forte e coletiva. Parte da antiga turma está se comentando, se revisitando na rede e relembrando alguns dos momentos vividos em 2005 e 2006, quando fizemos a aglutinação/movimento Bagatelas. Márcio Calixto postou um texto no seu Pictorescos sobre a escrita dos atalhos de Tatiana Carlotti. E realmente, a moça "filha de fila de ônibus e cartão de ponto" está se superando, atalhos urbanos é um blog de primeira qualidade, repleto de crônicas que me fazem respirar sampa pelos poros. Sem perder tempo, a caríssima blogueira aproveitou para levantar a bola, empurrar a lebre e retornar a gentileza: Não só agradeceu a lembrança sempre minuciosa e crítica de Calixto, como alinhavou o rumo de alguns outros bagateleiros. Valeu garota!

Não vou delongar este diálogo dos dois. Basta visitá-los.

Fazer a Bagatelas foi por demais para a minha pessoa. E depois de quase três anos, quem sabe dá para fazer uma síntese sobre o que foi a Bagatelas! (claro que é minha ótica, outros participantes dessa história também possuem seus prismas de visão).

Para mim, a Bagatelas foi um projeto com dois objetivos bem aglutinados: estimular a leitura e divulgar os parceiros que participavam do projeto. Para isso, atuamos em três frentes específicas:
1) A internet:
Nela, cada participante tinha o "compromisso" de postar semanalmente um texto. A internet era a ferramenta de aglutinação dos escritores. A construímos de modo geográfico, inclusive, já que os participantes estavam espalhados pelo Brasil, Portugal e Guiné-Bissau. Este princípio geográfico, facilitado pela rede, nos possibilitou trabalhar o conceito de aproximação do universo lusófono. Em sua maioria, os escritores da bagatelas produziam para seus respectivos blogs, o que aumentou a divulgação do núcleo bagateleiro.
Através do nosso sítio, realizamos 2 concursos de contos via rede. Aqui no Rio, recebíamos os contos e os analisávamos isentamente sem conhecer o autor, a única exigência aos particpantes era o uso de pseudônimo e as custas do envio do material. A premiação era a publicação na revista Bagatelas. Na net publicamos duas entrevistas. Uma com o escritor Ondjak e outra com Godofredo de Oliveira Neto.
2) A revista:
Na revista publicávamos os contos inéditos dos participantes e convidados. A estrutura editorial da revista era: 1 entrevista com um escritor já reconhecidamente presente no mercado literário + contos dos participantes + 1 ensaio crítico + 1 pequeno texto de um escritor já reconhecidamente presente no mercado literário + 1 conto de autor premiado em nossos concursos.
Além dos bagateleiros, participaram das revistas através de entrevistas ou enviando contos, os seguintes autores: Marçal Aquino, Márcia Denser, Marcelino Freire, Pedro Juan Gutierrez, Antônio Torres e Luis Ruffato e Sérgio Sant'anna.
A revista era vendida por 3,00. Fizemos 3 números.
3) Encontros Bagatelas:
Encontros que realizamos na livraria Imperial, no Rio de Janeiro. Convidávamos algum autor(a) para nos falar de seu processo de criação e de sua obra. Era um bate-papo informal, pois a idéia nunca foi de fazer um mega evento. A idéia era a intimidade. Participaram dos eventos os seguintes convidados: Alberto Mussa, Heloísa Seixas e Ruy Castro, Antônio Torres, Sérgio Sant'anna, Flávio Moreira da Costa, Zetho Cunha Gonçalves, Dodô Azevedo e Mauro Ventura.
Partiparam em algum momento da bagatelas os seguintes escritores:
Rio de Janeiro:
Raphael Vidal, Luciano Silva, Márcio Calixto, Miguel do Rosário, Camilla Lopes, Nilovsky, Eloise Porto, Antônio Mas, Ernesto Aguiar, Jorge Souva, Douglas Evangelista, Júlio César Corrêa e eu.
São Paulo:
Tatiana Carlotti, Rogério Augusto e Bianca Rosalem.
Rio Grande do Sul
Emerson Wiskow.
Paraíba:
Amanda K.
Bahia:
Rodrigo Melo.
Portugal:
Luis Felipe Cristovão e Jorge Flores.
Guiné-Bissau:
Waldir Araujo.
Acho que é isso. Em suma, rolou muitas coisas no inside da Bagatelas, mas isso é outra história.

5 comentários:

Clavis disse...

Está convidado a assistir ao Debate Público sobre o Futuro Democrático da Guiné-Bissau com Francisco Fadul, organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono:
http://movv.org/2009/06/05/2%c2%aa-conferencia-mil-o-futuro-democratico-da-guine-bissau-com-francisco-fadul/

Assine e divulgue a:
Petição em prol da Construção de um Estado de Direito Democrático na Guiné-Bissau:
http://www.gopetition.com/online/26953.html

Tatiana Carlotti disse...

Flavinho, só você mesmo! Eu e o Calixto falamos que falamos e ninguém explicou os projetos da Bagatelas! Precisávamos de você urgentemente! Rs... Obrigada meu querido pelas palavras bonitas! Vamos levantar essa lebre juntos? Tô aqui quase comprando passagem pro Rio... Beijo grande, Tati

Flávio Corrêa de Mello disse...

Oi Tati,
Não sei se levantar a lebre é dizer vamos voltar. Pode ser que sim! que voltemos a ter uma atuação em conjunto, mas de uma outra forma, não necessariamente nos moldes que foi a Bagatelas. Realmente dá saudades daqueles tempos... Mas se você tiver vontade de vir ao Rio, é só avisar que posso te receber por aqui na casinha nova.

bjs

Márcio Calixto disse...

Ah, meu Flávio, meu querido amigo das porra louquices cariocas, a sua síntese crítica, pontuada e firme sempre lhe foi característica, você nos completava de razão quando éramos síntese de falta de sobriedade. Lembra quando dividíamos a primeira revista, depois de três garrafas de uísque e quatro horas da manhã? Lembra de quando na Lapa, doidos dançávamos ou quando fomos a Parati peitar a nossa revista? Cara, eu vou ser sincero, como eu gostaria, e não sucintamente, de viver cada um daquele instante de volta, aqui, bem aqui, na pele. Te ver no Rio, rindo, em São Paulo, com Salompas, sabe, puto, te ver? Lembrar de quando bebemos bagarai e vomitamos um mundo de estômago na Uruguai, te abraçar, pilantra, viver Bagatelas. Eu gostaria desse nome de novo, desse rótulo já firme, de todos nossos não-acontecimentos. Sabe uma coisa de que não esqueço? De ti, cortando unha no meio da sala da Tati, todo preciso, pegou o cortador, tirou uma folhinha, organizou o que foi cortado na folhinha e depois jogou fora. Que precisão. Você sempre foi assim, preciso, detalhadamente preciso; e precisão é tua vida, que sempre vem no paradoxo da tua risada mais forte. Eita saudade da pôôôrra!!

Flávio Corrêa de Mello disse...

Camarada Calixto,

è bom lembrar de nossos encontros e atividade, quem sabe ainda podemos reviver a bagatelas, mas já não estou mais no Uísque, ainda bem!!!! isso eu deixo pro passado!