terça-feira, 26 de agosto de 2008

Exercícios Poéticos - Rio Movediço

Sambaquis no solo. Mantas metálicas e juncos.
Material desargamassado.
Janelas mínimas: flutua luz pardacenta.
Subsolora-se com estacas o interior da terra.
Vermes e caramujos e minhocas são teias intrincadas.
Engrenagens.
Uma parede encarcera a trepadeira pedra sobre pedra
sem ligaduras ou massa o homem é solo
preso sem peso timão ou betume.
Resvala na pedra a lixa que molda formas e palavras minerais.
Reina trança rede e distância que o concreto impõe ao barro.
Da pedra a gengiva evolui à dentição de brita,
da brita ao quartzo, assim adiante,
unhas são limadas.
E o cálcio e o cascalho
cosem a sustância
polindo a beterraba no ventre da mulher,
agora há massa: substância sensitiva
composta de esporas, margens seminadas, bordas lodosas.
Substância cidade: unstubosumasmarginaisumascasas.
Extrai-se da força fincada os acordes de uma história argilada
e dedo por dedo e fio por fio constrói-se a deriva
famílias/fóruns/delegacias/varais de remendos/
restos
de mastros estendidos pela orla/rodas/moinhos de vértebras
e cervicais/samambaias no interior/parcos caminhos
de lavas e placas e letreiros anunciando
verbos de passados e de futuros:
o subsolo pertence aos corpos mortos de Deus.

3 comentários:

adelaide amorim disse...

Poesia é o terreno da liberdade por excelência, né não? O único lugar onde se pode dizer tudo sem medo.
Beijo pra você.
PS: O livro não chegou,viu?

Flávio Corrêa de Mello disse...

O Adelaide,

ainda bem que voltei a produzir poesia. Bem, vamos combinar para eu te passar o livro.
beijos!

Rachel Souza disse...

Ô Adelaide, qualquer linguagem é de liberdade extrema, não só a poesia!rs E a sintaxe Adelaide, e a sintaxe?! :)
ô, se quiserem meu livro também, é só combinarmos! rs
Bjo nos dois!