domingo, 21 de junho de 2009

Boris Vian na tradução de Ruy Proença



A LARD

Je n'ai jamais rencontré une femme
Qui m'ait fait regretter d'être un homme.
Je les prie de ne pas pendre ça pour un compliment.



COM BANHA

Nunca encontrei uma mulher
Que me fizesse arrepender-me de ser homem.
Peço a elas que não tomem por elogio.



A GRIFFES

Elle disait aux voyageurs
"Comment me trouvez-vous?"
Elle avait des grands yeaux très doux
Et l'air pélagiquement songeur.


Mais quand elle prenait ses gants
Pour vous entretenir
Il valeit mieux se souvenir
D'un rendez vous urgent.


Un (beau) jour, il vint un grand gars
Il s'appelait Edipe
Il s'appuyait sur son pen-bras
En tirant sur sa (court) pipe.


"Comment me trouvez-vous?" dit-elle
Il réfléchit, et puis il ralluma sa pipe qui partait
Mal et qui jutait, et lui dit: "Je vous trouve un os"
Le pire, c'est c'était vrai.



COM GARRAS


Ela dizia aos viajantes
"O que você acha de mim?"
Tinha olhos grandes muito excitantes
E um ar pelágico de querubim.


Mas quando sacava batom e pente
Para entreter o ouvinte
Melhor era o seguinte:
Lembrar de um comromisso urgente.


Um (belo) dia veio um tipo avantajado.
Chamava-se Édipo
Apoiava-se em seu cajado
Sorvendo seu (curto) cachimbo.


"O que você acha de mim?" disse ela
Ele pensou, reacendeu o cachimbo que falhava
E que babava, e lhe disse: "Eu te acho um osso."
O pior é que era verdade.

4 comentários:

adelaide amorim disse...

Oi, Flávio! O Rio está mesmo em movimento, que bom!
Beijo.

Flávio Corrêa de Mello disse...

Sim muito!
bjs

BAR DO BARDO disse...

Boris Vian é bem pouco lembrado. Que bom que você deu um toque. Um gênio morto cedo, mas que "incomodou" bastante. Escritor, músico, agitador cultural e dono de um coração cheio de problemas.

Obrigado.

Flávio Corrêa de Mello disse...

Gosto muito dos poemas dele, mas fato é que tem pouca circulação por aqui.

abçs