Portfólio / Curricullum
sábado, 16 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Cidade Atravessa 9 - fotos
O evento poético Cidade Atravessa é promovido pela Confraria do Vento, este último foi o nono. A novidade consiste no formato internacional, já que o evento ocorrerá em três cidades (Rio de Janeiro, São Paulo, Lisboa).
A primeira soirée já rolou aqui pela cidade maravilhosa. A convite de Márcio-Andre, Ronaldo Ferrito e Victor Paez, tive o prazer de recitar alguns poemas para o público presente. Recitei nove poemas, sendo que um do livro Poemas Suíços e outros oito poemas (alguns inéditos e outros que já publiquei em revistas). Já fazia uns quatro anos que não me apresentava em público, foi bacana, apesar da garganta estar um pouco enferrujada, travando em alguns versos. Há qualidade poética da noite foi remarcável, pois todos os poetas que se apresentaram diante de uma platéia exigente de bons poemas, apresentaram obras de qualidade, bons poemas.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Cidade Atravessa
Me convidaram, estou lá!!!
SERVIÇO:
CIDADE ATRAVESSA 2011
No dia da mentira, evento de verdade na Travessa 1 inicia série mensal que acontecerá em três cidades do mundo.
No dia 1º de abril, às 18h, acontecerá o “Cidade aTravessa 9”, no Rio de Janeiro, abrindo o segundo ano da série mensal de eventos. Além de entrevista aberta com Jorge Mautner e Affonso Romano de Sant'Anna, haverá performances de Andre Vallias e Roberto Corrêa dos Santos, leitura de Evando Nascimento, Paulo Ferraz, Flavio Corrêa de Mello e da inglesa Sophie Lewis e a exibição do filme Totem, de Donny Correia.
Com curadoria dos escritores Márcio-André, Victor Paes e Ronaldo Ferrito, o “Cidade aTravessa: poesia dos lugares” teve, no ano passado, oito edições, atravessando São Paulo e Rio de Janeiro. Contou com a presença dos nômades Fausto Fawcett, Geraldo Carneiro, E. M. de Melo e Castro, Frederico Barbosa, Ítalo Moriconi, entre outros, tornando-se ponto de encontro para escritores, performers, poetas sonoros e cineastas que experimentam a poesia. Tudo regado a absinto, bebida que se tornou símbolo do evento.
Em 2011, o evento revezará entre as cidades de Lisboa (Casa Fernando Pessoa), São Paulo (Casa das Rosas) e Rio de Janeiro (Livraria da Travessa 1), com transmissão ao vivo pelo site http://www. confrariadovento.com/ cidadeatravessa.htm. Entre alguns dos que atravessarão essas cidades, estão Antônio Cícero, Gonçalo M. Tavares, João Gilberto Noll, Nei Lopes, José Kozer (Cuba), Enzo Minarelli (Itália), Henri Deluy (França) e Arjen Duiker (Holanda).
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
ENTREVISTA - SOLANO GUEDES
Solano Guedes é carioca e pai da simpática Sofia. Poeta. Estuda ARTES na Uerj e desde meados do ano 2000 intervém culturalmente na cidade carioca, já participou de mostras no Circo Voador e no Santa Teresa de Portas Abertas. Como escritor publicou um livro infantil pela Vieira & Lent Casa Editorial, a História dos três pontinhos. Escreve no blog Solano Guedes. E promete, ainda para 2011, a publicação de mais um título destinado ao público infantil.
Solano, você pode nos falar um pouco sobre a História dos três pontinhos?
Bom, Flávio, o livro fala de trajetórias e escolhas. A História dos Três Pontinhos é a tentativa de através de uma metáfora organizada no sentido de representar o mundo no ambiente da língua, utilizar como personagens elementos gráficos dessa mesma língua para discutir questões humanas básicas e comuns. Então, os pontos são os personagens principais da história, e cada um deles vai seguir um caminho diferente a partir de escolhas feitas, como acontece na vida de qualquer pessoa.
O fato é que um dos pontos em determinado momento se vê sozinho. Essa personagem que vai ser o fio condutor de uma narrativa que tenta mostrar a importância de uma busca, várias coisas acontecem a esse ponto, ele vai passar por uma série de situações, vai assumir várias funções, vai enfrentar dificuldades, enfim, vai viver... e o livro tenta de alguma forma estimular o questionamento em relação a vida e às relações de trabalho e convivência, sem fechar nada, não é à toa que eu termino o livro com uma pergunta...
Como surgiu a idéia para a História, para o livro?
Eu fazia um curso de design, e o trabalho final era fazer um livro. Eu passei sufoco, não sabia o que fazer e não queria entregar um trabalho qualquer. Uma tarde eu estava num bar que frequentei muito alí na São Salvador, peguei papel guardanapo e pumba! e de repente estava eu às voltas com pontos e letras criando uma história com vida própria, eu escrevia e me lembro de ter a sensação de estar apenas escrevendo algo que já estava pronto, não me lembro de maturar a idéia não, foi algo assim zapt! E tava pronto, claro que depois eu tive muito trabalho editando o material, mas o grosso estava alí, no guardanapo.depois trabalhei dois anos em cima do projeto gráfico e das ilustrações finais.
Demorei para publicar, escrevi aos 19 e só fui publicado aos 29, o livro dormiu muito tempo comigo, mas sempre soube que alí estava uma boa idéia e bem acabada, gosto muito do livro, gosto de tê-lo escrito. A editora matou a charada, o livro fala de felicidade, de busca por felicidade.
Há alguma identificação com algum ponto específico?
Eu me identifico muito com o asterisco, o ponto diferentão que vive fora do contexto... é inegável, mas a arrogância do ponto final também foi minha muitas vezes, e eu também tive o meu Dr.Q. Todos os pontos estão em mim de algum modo e a trajetória do protagonista tem a ver com a minha também, literatura pra mim é algo feito de muito pouca literatura e sim de muita vivência. Quando escrevi o livro eu era um rapazola, hoje vivi mais e posso perceber o quanto me identifico com o livro, sim, há muitas identificações, principalmente quanto à busca de cada ponto pela felicidade. Também busco isso.
Qual a sua relação entre artes plásticas e literatura?
Na verdade minha matéria prima é a poesia, seja escrita ou falada, sempre a vivida. Do poema eu vou ao texto e posso ir ou não ao trabalho plástico. Eu estruturo meu pensamento na palavra, sempre há texto no que crio, no blog que mantenho há muito texto e vídeos onde o texto é a base, assim como na música, minha parte é a letra, a palavra é minha ferramenta e palavra pode falar de arte como de engenharia naval, palavra é coringa...
Seu livro teve excelente receptividade com os professores de Língua portuguesa e com as redes públicas de educação, de alguma forma você esperava que isso fosse acontecer? e que sensação lhe dá o fato de saber que ele está sendo trabalhado em sala de aula?
Em primeiro lugar fico muito grato aos professores. Muito mesmo. Ao escrever um livro eu não sei exatamente como esse livro vai, para onde vai, como será trabalhado...eu tenho talvez uma idéia, mas é só uma idéia, talvez tenha também uma intenção ao escrever mas não "espero algo" do livro, não espero que nada aconteça, eu simplesmente me concentro em escrever, em acabar o trabalho. Isso quando escrevo, ao escrever. Mas é claro que depois, olhando para o livro, percebi sim que havia um potencial paradidático ali e fico muito feliz de ver A História dos Três Pontinhos nas escolas, com os professores, me sinto útil, e isso acaba me ajudando muito. Não sei se arte tem que ter utilidade ou não, mas um livro certamente deve se preocupar com isso.
Há algo de novo vindo por aí?
O blog http://solanoguedes.blogspot.com está me servindo de casa na rede, muita coisa nova lá, texto adulto, trabalhos plásticos, vídeos, fotos e desenhos. Este ano sai A Revolta das Vogais, pela Vieira e Lent Casa Ediitorial também, sem data certa ainda. É um livro que fala de minorias e maiorias es suas implicações, usando a metáfora do alfabeto, nele as vogais se revoltam contra as consoantes e isso acaba dando em muita confusão, confiram o poder da "bomba hiatômica"!
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Aqui não é lugar para os fracos
Aqui não é lugar para os fracos.
Sentimos tua dor como nossa dor
e esperamos o teu sorriso como nosso sorriso,
mesmo amarelecido, enquanto ainda supura
o corpo nos abraçamos para que o suor,
a lágrima e o barulho passem.
Aqui não é lugar para os fracos. Volte,
volte todos os dias. Se a cadeira é tua
a sorte é nossa, meu amigo, apenas volte
para que eu me salve nesta noite.
Ouvi um grito lá fora, um lamúrio esquisito
um nome desconhecido. Ouvi um demônio
me chamando para ver a pólvora
de um 38 com gosto de mármore, de melhoral.
É um diagnóstico desconhecido:
diarréia contínua, olhos esbugalhados.
Aqui não é lugar para os fracos. Aqui,
meu amigo, o que se fala aqui se deita,
se morre, se esquece e se dorme para
acordar no dia seguinte e repetir
o novelo, a linha tênue que nos une,
meu amigo, sofrido amigo, sentinela
com asas cortadas em pleno vôo.
Assim, você feio e desdentado,
desiludido, encarnado, assim você,
você me diz que o mais será revelado,
pois aqui é o lugar dos tortos, aqui
e agora, e hoje, apenas hoje.
Sentimos tua dor como nossa dor
e esperamos o teu sorriso como nosso sorriso,
mesmo amarelecido, enquanto ainda supura
o corpo nos abraçamos para que o suor,
a lágrima e o barulho passem.
Aqui não é lugar para os fracos. Volte,
volte todos os dias. Se a cadeira é tua
a sorte é nossa, meu amigo, apenas volte
para que eu me salve nesta noite.
Ouvi um grito lá fora, um lamúrio esquisito
um nome desconhecido. Ouvi um demônio
me chamando para ver a pólvora
de um 38 com gosto de mármore, de melhoral.
É um diagnóstico desconhecido:
diarréia contínua, olhos esbugalhados.
Aqui não é lugar para os fracos. Aqui,
meu amigo, o que se fala aqui se deita,
se morre, se esquece e se dorme para
acordar no dia seguinte e repetir
o novelo, a linha tênue que nos une,
meu amigo, sofrido amigo, sentinela
com asas cortadas em pleno vôo.
Assim, você feio e desdentado,
desiludido, encarnado, assim você,
você me diz que o mais será revelado,
pois aqui é o lugar dos tortos, aqui
e agora, e hoje, apenas hoje.
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