quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Estaleiro


Chega uma hora em que tudo pára. Hora asséptica. De clamor, diriam alguns, de refúgio, diriam outros. A água corre pelo canto do asfalto, cheia de poeira, de bitucas, de pedras e de asneiras sizudas, mas estaca debalde todo o esforço que emprega, estaca e pára. Tudo pára: a água, o pensamento, o ódio, a raiva, as animosidades que me impregnam, tudo, mas tudo mesmo está parado e não adianta escrever, sublinhar ou desentender-me com quem quer que seja. Pois será que vale algum tostão ou alguma migalha de sorriso? Será que valeria um grito ou então tomar cápsulas de valeriana? Assim estou estaleiro, navio avariado, meio que retirando as placas que há muito deixaram de ser eficazes, o que alías, conjecturo: nunca o foram. E neste estaleiro, procuro me reinventar para colocar de novo o barco a navegar de modo mais suave, com as ranhuras mais acarinhadas.



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Eu diria Belô... O ano realmente só começa depois da copa

Sim... Eu havia dito: o Ano começa depois do carnaval. O carnaval já se foi com seus personagens que pinçaram os blocos do Rio de Janeiro e até agora nada de postagem nova. O milionário passou de roupão pelo Escravos da Mauá, o pastor pregou quase no meio das pernas da colombina em Santa Teresa e eu não escrevi nenhuma alusiva.

Agora a copa alvita os cerebelos dos milhões de técnicos brasileiros enquanto Adriano amarga mais um copinho na Chatuba. Toma-lhe Chatuba.

Agora, talvez, eu consiga escrever algumas linhas. Nada contra os dez quilos a mais do Adriano, não é nada pessoal. Mas é que agora estou respirando a solidão de um quarto de hotel barato em Belô. Reafirmando formalmente minhas vagas promessas de escrever umas duas postagens por semana.

A mão está muito enferrujada, os dedos lentos, falta inspiração, falta concentração, falta disciplina. O netbook emprestado é macio, porém o teclado é pequeno e não dá para digitar olhando diretamente na tela. É mais uma desculpa, inclusive para poder me despedir rapidamente. Mas uma coisa é fato, em ano de copa o ano só começa depois para todo mundo, para os artistas de horas vagas, para os organizadores da copa 2014 e para o comércio também, menos é claro para aqueles que vendem televisões... Para eles, o ano bomba assim que acaba o carnaval .

sábado, 6 de fevereiro de 2010

vídeo Tijuca em Crônicas




Este vídeo foi realizado durante o Tijuca em Crônicas, oficina literária realizada em 2007 pelo SESC RJ em parceria com o IMAC e que tive o prazer de coordenar. Um grande abraço para todos as pessoas que fizeram parte deste projeto.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

colapsos

Pela manhã a língua
na virilha,espasmo
galopando o calcanhar
- casco amaciado -
no travesseiro
- colapso -
a boca dormente.

Pela tarde o sussurro
próximo é cano entupido
e entre a cama e o chão,
há um salto duvidoso

quando a noite penumbra
a janela do vizinho
desfazendo permutas,
somos nós e o abismo,
o cansaço - colapso.